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AS ARARAS FIZERAM NINHO!
– Vem filha! Vem ver!
– Ver o quê, pai?
– AS ARARAS FIZERAM NINHO DE NOVO! – meu pai gritou feliz!
Saí correndo até a frente da casa. Estava parado, olhando para cima. Fiquei ao seu lado admirando também e falei:
– Que espetáculo!
Ele sorriu e disse:
– Adoro quando você fala assim: es – pe – tá – cu – lo, separando as sílabas e enchendo a boca.
-Sei disso. Por isso que falo: espetáculo, mas que é… é!
Rimos muito. Essa cena repetiu-se seguidamente por vários anos, não somente com araras, mas com ninhos de outros pássaros que abrigavam-se na chácara.
O tempo passou…
– Pai, come um pouco. O senhor está tão fraquinho! Precisa se alimentar!
– Ah! Não consigo comer.
– Pai, o senhor se olhou no espelho? – disse numa mistura de braveza e carinho.
– Estou magrinho, né? – respondeu rindo.
– Pai, o senhor não era assim. Está só pele e osso! Não fica assim, pai… O senhor tem que ficar forte para ver as araras!
O tempo passou…
– Pai! AS ARARAS FIZERAM NINHO DE NOVO! – falei com a intenção de animá-lo.
– Fizeram, é? Se eu não estivesse tão fraco eu iria ali ver…
– Então, pai. O senhor tem que comer!
– Então tá, mas corta a carne bem miudinha que eu vou tentar engolir. – disse resignado.
O tempo passou…
– Pai! AS ARARAS FIZERAM NINHO DE NOVO!
– Ah… Eu queria tanto ir ali ver… Então coloca mais um pouco de comida. Mas bem pouquinho!
– Tá bom, pai. Assim que o senhor ficar mais forte, nós poderemos ir ali na frente da casa e ver a beleza das araras novamente.
O tempo passou…
– Pai! Acho que temos mais um espetáculo para apreciar.
– Éééééé? Porque? AS ARARAS FIZERAM NINHO DE NOVO?
– Sim, paizinho. Vamos ali na frente da casa para olhar?
– Será que consigo? – disse arregalando os olhos no rosto magro.
– Consegue. Eu lhe dou apoio num braço e no outro o senhor segura a bengala. Vamos bem devagar.
E assim fizemos. Foram passos bem miúdos e lentos… Passinho por passinho…. Foram cerca de trinta metros até chegarmos na frente da casa. Olhei e ele estava sorrindo.
– O que foi pai?
– Já estou ouvindo a balbúrdia delas.
– É verdade, pai. Também estou ouvindo. Estamos bem pertinho! Agora a gente desce essa rampinha. Pronto… Olha! Elas estão ali no coqueiro.

O sol estava forte. Levei meu pai até a sombra do ipê e gritei:
– Oh galerinha aí do fundo! Traz uma cadeira “pro” pai sentar e apreciar as araras!
Logo chegaram duas cadeiras e ficamos admirando aquela belezura toda.
Ele olhou para cima dum coqueiro e tinha 6 araras. Era de onde vinha a linda algazarra que escutáramos.
Depois dirigiu seu olhar para o coqueiro sem folhas, onde estava o casal de araras.
– Que espetáculo! – disse e olhou para mim, como se estivesse fazendo uma travessura, pois estava me “copiando”. Sorrimos um para o outro.
Ficamos um tempo assim admirando essa beleza, até ele cansar o pescoço de ficar olhando para cima.
E o tempo passou…
O meu companheiro de olhar as araras e seus ninhos, partiu.
Ele foi cuidar da natureza… das flores nos jardins… das plantas… conversar com os pássaros e com as formigas… lá no Céu! E é com os olhos marejados que digo:
– Pai! Eu queria lhe dar um recado! Não sei se o senhor está sabendo, mas o espetáculo começou… AS ARARAS FIZERAM NINHO DE NOVO!
Simone Possas Fontana
escritora gaúcha de Rio Grande-RS,
membro da Academia de Letras do Brasil/MS, ocupando a cadeira 18,
membro correspondente da Academia Riograndina de Letras,
autora dos livros MOSAICO, A MULHER QUE RI, PCC e O PROMOTOR,
coautora de 18 antologias,
graduada em Letras pela UCDB,
pós-graduada em Literatura,
O PROMOTOR (e-book)
Nota Postado em Atualizado em
Agora “O PROMOTOR” é e-book. Adquira o seu por apenas R$ 12,90!!!!!!
Basta clicar no link abaixo e ler as 3 estórias que o Promotor Pedro Otávio está envolvido: O ABUSO, O ABANDONO e O HOMICÍDIO.
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COLETÂNEA INTERNACIONAL DIÁLOGOS

COLETÂNEA INTERNACIONAL “DIÁLOGOS”
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Tenho a honra de apresentar, a Coletânea Internacional DIÁLOGOS, da Editora Gaya, contendo 388 páginas de poesias, contos, crônicas e artigos, ao preço de R$ 50,00 o exemplar (e tem texto desta humilde escritora).

Simone Possas Fontana
escritora
membro da Academia Rio-Grandina de Letras
membro da Academia de Letras do Brasil – Seccional MS ocupando a cadeira 18, autora dos livros: MOSAICO, A MULHER QUE RI, PCC e O PROMOTOR
Atualmente dedica-se ao seu quinto romance (O PROMOTOR 2) e
atualiza o blog: http://www.simonepossasfontana.wordpress.com
O PROMOTOR
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Livro O PROMOTOR, com prefácio do escritor André Alvez:
“… Adilson teria tirado as fotografias da enteada nua e em poses sensuais? Galiza abandonou o filho recém-nascido? Foi acidente ou homicídio a morte do jovem Fábio? A autora não poupa detalhes para descrever personagens e lugares, a apresentação do mundo dos tribunais, tais como filme de suspense, que às vezes chega a ser inquietante…”.
O livro, mostrando processos judiciais onde atuou o protagonista fictício Pedro Otávio, é dividido em três capítulos:
- o abuso,
- o abandono,
- o homicídio.
(O PROMOTOR, Editora Biblio, 304 páginas, R$ 40,00)
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Simone Possas Fontana
escritora
membro da Academia Rio-Grandina de Letras
membro da Academia de Letras do Brasil – Seccional MS ocupando a cadeira 18, autora dos livros: MOSAICO, A MULHER QUE RI, PCC e O PROMOTOR
Atualmente dedica-se ao seu quinto romance (O PROMOTOR 2) e
atualizar o blog: http://www.simonepossasfontana.wordpress.com
PCC
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A repórter pergunta-me:
– A senhora já está pensando em escrever outro livro?
– Sim. Já está todo elaborado em minha mente. Chamar-se-á PCC.
– PCC? E sobre o que seria?
– Não vou adiantar agora. Somente no lançamento do livro é que saberão do que ele trata.
Meu cunhado Antônio, um sindicalista atuante diz:
– Posso opinar? Acho que PCC devem ser as letras iniciais de PCC – Plano de Cargos e Carreiras! Acertei?
Balanço negativamente a cabeça.
– Então devem ser as iniciais de algum partido político, como: PCC – Partido Central Comunista, Partido Católico Central, Partido Central Cristão, etc. – diz minha colega Fernanda.
Novamente balanço negativamente a cabeça.
Meu pai, com os olhos brilhantes e arregalados, como se estivesse descoberto a pólvora, opina:
– Já sei! Seu livro PCC deve ser sobre a facção criminosa: PCC –Primeiro Comando da Capital.
– Não, paizinho. Também não é.
Todo esse diálogo ocorreu na noite de autógrafos do lançamento do meu mais recente livro: A MULHER QUE RI. O burburinho foi aumentando. Cerca de quarenta pessoas fizeram um círculo a nossa volta, tendo eu e a repórter ficado no centro, mas ninguém acertou e finalizei a entrevista dizendo:
– Aguardem, leiam e saberão!
Mas para você que agora lê o presente livro PCC, posso desvendar o mistério criado há mais de dois anos…
(PCC, Editora Life, 222 páginas, R$ 30,00)
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Simone Possas Fontana
escritora, membro da Academia Rio-Grandina de Letras, membro da Academia de Letras do Brasil – Seccional MS ocupando a cadeira 18, autora dos livros: MOSAICO, A MULHER QUE RI, PCC e O PROMOTOR.
Atualmente dedica-se a escrever seu quinto romance: O PROMOTOR 2.
A MULHER QUE RI

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Na onda dos romances intitulados “A Mulher Pintada”, “A Menina Que Roubava Livros”, “O Menino do Pijama Listrado”, “A Menina Que Não Sabia Ler”, etc. surge o romance A MULHER QUE RI: história de Júlia, mulher rica, famosa e elegante, mas que já sofreu muito na vida repleta de tragédias e sofrimentos. É a história comovente de uma mulher que padece com resignação, órfã, que sofre com traição, drogas, furto, problemas emocionais, amorosos e de saúde, mas que disfarça muito bem dando risada de tudo.
No final de cada capítulo – onde conta o sofrimento e a tragédia acontecida – aparece a expressão “E Júlia ri…”. Porque ela tanto ri? Como consegue rir tanto assim? Rir de tantos sofrimentos? Júlia possui o dom da alegria. Mesmo com tantas tristezas, consegue rir; tem disposição para escutar e aconselhar outras pessoas e ainda fazer sorrir quando só pensam em lamentar e chorar.
No último capítulo Júlia passa por mais uma desilusão. Para ela, a pior de todas. Por que agora? Exatamente nesta ocasião tão especial? Como irá reagir? Deixará o castelo ruir ou sacudirá a poeira e dará a volta por cima como sempre fez?
Romance A MULHER QUE RI, 2a.edição, Life Editora, 215 fls., R$ 30,00.
FRETE GRÁTIS PARA QUALQUER LUGAR DO BRASIL!!!!!

Simone Possas Fontana
escritora gaúcha de Rio Grande-RS,
membro da Academia de Letras do Brasil/MS, ocupando a cadeira 18,
membro correspondente da Academia Riograndina de Letras,
autora dos livros MOSAICO, A MULHER QUE RI, PCC e O PROMOTOR,
participante de 15 antologias,
graduada em Letras pela UCDB,
pós-graduada em Literatura,
blog: http://www.simonepossasfontana.wordpress.com
MOSAICO

“… Brasileira, gaúcha, rio-grandina, cassineira das antigas. Na minha infância, em alguns meses das férias escolares, brincava de fazer croquete na Praia do Cassino, molhando meu corpo nas águas geladas do Oceano Atlântico e, após, rolando nas dunas quentes, tornava-me um verdadeiro bolinho empanado! Essas aventuras foram registradas em contos publicados em jornais de minha cidade natal: O Peixeiro, Jornal Agora e Jornal Rio Grande. Fui escrevendo e guardando o que agora trago em forma de livro. E hoje, que já estou coroa e após a insistência de amigos…”.
Característica: Editora Gibim, 208 páginas, R$ 20,00.
FRETE GRÁTIS PARA QUALQUER LUGAR DO BRASIL! Basta entrar em contato comigo para adquirir seu exemplar.

Simone Possas Fontana
escritora gaúcha de Rio Grande-RS,
membro da Academia de Letras do Brasil/MS, ocupando a cadeira 18,
membro correspondente da Academia Riograndina de Letras,
autora dos livros MOSAICO, A MULHER QUE RI, PCC e O PROMOTOR
graduada em Letras pela UCDB,
pós-graduada em Literatura,
contista da Revista Criticartes,
blog: http://www.simonepossasfontana.wordpress.com
MEIO A MEIO

– Anjo…
– Pois não Tônia. Estou bem aqui do seu lado. Precisa de ajuda?
– Sim. Estou angustiada… Quero ajudar minha cara metade, mas não estou tratando-o com a paciência que ele merece.
– Isso não é verdade. Tenho visto que você cuida diariamente dele; dá os remédios no horário certo, faz massagem, oferece seguidamente água, frutas, lanche. Percebi que no criado-mudo tem um copo que você cobre com um pires para não cair nada na água. Isso é carinho! Quando ele vai ao banheiro você corre para arejar o quarto abrindo a janela, colocando um aromatizador, afofando o travesseiro, dando uma ajeitada nos lençóis. Percebi também que quando ele volta ao quarto, você corre ao banheiro para ver se ficou tudo arrumado e limpo: tapete, toalha, enfim, tudo ajeitado para quando ele próprio retornar, encontrar favorável.

– Tá Anjo, mas…
– Tônia. Vi também que você filtra as ligações telefônicas dos amigos e familiares, só deixando-o atender quando está acordado. Quando sua cara metade está cochilando, não o acorda. Sabe que enquanto estiver dormindo, não está sentindo dor.
– É… Não gosto de incomodar quando está descansando…
– Vi você passeando com ele embaixo da parreira e depois colocando a cadeira de rodas na sombra do jirau.
– Sim, ele gosta muito do nosso jardim, mas…
– Sei que é você quem está fazendo as compras de mercado, padaria, açougue e pagamentos bancários e que faz tudo isso sempre correndo para ele não ficar muito tempo sozinho em casa.
– Anjo, me deixa explicar?
– Tônia. Sei também que é você quem cozinha, lava as louças, faz faxina, lava e passa roupas.
– Tá tá tá. Já sei disso, mas quem não faria?

– E tem mais: sei que é você quem troca os lençóis e limpa o chão, sujos de diarreia e vômito…
– ANJO! CHEGA! Não precisa entrar em mais detalhes! E esses últimos aí que você falou, só aconteceram no momento da crise. Não irão acontecer mais! Assim você não está me ajudando!
– Tá bom Tônia. Só quis abrir teus olhos.
– Sei disso. Suas intenções são sempre boas, mas tudo isso que fiz, continuarei fazendo sempre que precisar, sem reclamar! Enquanto estou fazendo as tarefas domésticas e minha cara metade me chama pedindo alguma coisa, não reclamo, o que me incomoda é quando isso acontece NAQUELE horário.
– NAQUELE horário? Que horário é esse?
– É naquele horário do lazer, Anjo. Naquele horário em que consigo sentar a bundinha no sofá, descansar e fazer as coisas que gosto: artesanato, leitura, filme e música.
– Ah tá! Sei. É naquele horário em que você está crochetando uma toalha de mesa para doar para a Igreja, relendo o livro “Dom Casmurro” pela quinta vez (já estou enjoado desse livro), assistindo a quarta temporada da série House of Cards ou praticando o violino. Sei que você ama tudo isso, Tônia!

– Pois é. E quando chega esse momento de relaxamento, minha cara metade me chama e minha reação é de irritação e impaciência. Não quero agir assim!
– Entendi. Quando sua cara metade lhe chamar e você estiver nesse momento de descanso, quer ter calma, mansidão e serenidade. Certo?
– Certo. Sei que ele está com dores! Entendo isso, anjo! Quero ajudar sempre e da melhor forma possível, mas com doçura e amor; sem mau humor e cara feia. Para isso, tenho uma ideia e você pode me ajudar.
– Diga lá! Todas suas ideias sempre deram certo, Tônia. Pode contar comigo!
– E se eu sentisse dor? Uma dor pequena só para me lembrar de que não é bom sentir dor…
– Você sentir alguma dor? Para quê? Não entendi.
– Anjo. Veja bem. Teria que ser uma dor pequena. Não poderia ser uma dor de estômago ou uma forte dor de cabeça, por exemplo. Nada que me deixasse acamada, porque daí seriam dois acamados. Uma dorzinha apenas… Como um beliscão.
– Como um beliscão? E daí, Tônia?

– Funcionaria assim: toda vez que eu estivesse no meu momento de relaxamento e minha cara metade me chamasse, você beliscaria meu braço. Aí me lembraria de sorrir, agir com docilidade e presteza, sem reclamar. O que acha? Pode dar certo?
– Claro que vai dar certo. Tudo o que é feito para o bem, dá certo!
– AAAIIIIII! Você beliscou forte meu braço, Anjo!!!
– Ué? Não era para beliscar toda vez que ele te chamasse? Ele está chamando agora. Pois então vá lá. E lembre-se Tônia: carinho, doçura e amor.
…
– Oi amor! – diz Tônia entrando no quarto em penumbra e já abrindo a janela para a entrada de uma réstia de luz. – Está tudo bem? Precisa de alguma coisa?
– Oi amor. Estou com muita dor de cabeça!

– Puxa amorzinho. Acabou de tomar o remédio para a dor! Ainda não fez efeito. Aguenta mais um pouquinho. Já vai passar. – fala delicadamente, fazendo massagem nas têmporas. E continuou: – De 1 até 10, qual a intensidade de sua dor?
– 10! – responde a cara metade
– Então vamos dividi-la em dois: você fica com 5 de dor e eu fico com os outros 5. Meio a meio! Assim não fica tão pesado para nenhum de nós. O que acha?
Tônia, continuando a massagear as têmporas doloridas, encara dois olhos azuis celestes e percebe uma lágrima que escorre na fronha do travesseiro e um sorriso a se formar. Retribui com um sorriso.
Sente no braço que fora beliscado, três tapinhas de leve. É o Anjo que também sorrindo, sussurra:
– “Muito bem Tônia! Muito bem! Essa é a minha garota”.

Simone Possas Fontana
escritora gaúcha de Rio Grande-RS,
membro da Academia de Letras do Brasil/MS, ocupando a cadeira 18,
membro correspondente da Academia Riograndina de Letras,
autora dos livros MOSAICO, A MULHER QUE RI, PCC e O PROMOTOR
graduada em Letras pela UCDB,
pós-graduada em Literatura,
contista da Revista Criticartes,
blog: http://www.simonepossasfontana.wordpress.com
TÃO PRESTATIVA

– Bom dia Dona Tônia! Aqui é a Carla da operadora de telefonia X. Tudo bem com a senhora?
– Oh Bom dia Carla querida! Está gravando esta ligação?
– Sim Dona Tônia.
– Então tá. O que foi que você me perguntou?
– Se estava tudo bem com a senhora, Dona Tônia.
– Ah sim! Então minha filha… Não está nada bem… Meu marido foi atacado por um enxame de abelhas aqui no sítio e está no hospital com o corpo todo inchado. Já que ele não está por aqui para cuidar da horta, fui dar uma olhada para ver como está a produção e percebi que as batatas foram todas perdidas por causa do excesso de chuva. E aí, quando retornei para dentro de casa, resolvi olhar para cima e percebi que o cupim tomou conta do forro de madeira de todo o avarandado da casa, das paredes e do piso de madeira. Resolvi não me preocupar com isso agora e fui pregar o botão da camisa do meu velho, mas procurei por tudo e não encontrei o dedal, daí aconteceu o que é óbvio: espetei meu dedo com a agulha. E acho que foi bem profundo porque doeu demais. Mas o que doeu mais foi ver que bem do meu lado, no sofá, havia uma mancha enorme de esmalte de unhas que minha netinha derramou. Daí fiquei pensando: qual seria o produto ideal para retirar manchas de esmalte? Estava refletindo nisso quando…

– tu tu tu…
– Ué? A Carla desligou. Nem contei para ela que uma faca caiu de ponta no meu dedão do pé enquanto fazia almoço, esparramou sangue para todos os lados e estou com uma atadura. Que pena! Parecia ser tão prestativa! Queria até saber como eu estava passando!
Simone Possas Fontana
escritora gaúcha de Rio Grande-RS,
membro da Academia de Letras do Brasil/MS, ocupando a cadeira 18,
membro correspondente da Academia Riograndina de Letras,
autora dos livros MOSAICO, A MULHER QUE RI, PCC e O PROMOTOR
graduada em Letras pela UCDB,
pós-graduada em Literatura,
contista da Revista Criticartes,
blog: http://www.simonepossasfontana.wordpress.com






