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CADEIRA MÁGICA

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Cadeira Mágica

 mágica

            Parecia uma cadeira comum: o encosto e o assento estofados em napa preta, sem os apoios laterais para colocar os braços; quatro pés de ferro com cerca de 40 centímetros de altura.

cadeira 2

            Parecia comum, mas era mágica. Ela voava e era minha. Apenas eu tinha essa cadeira. Podia ir onde quisesse com ela: para cima, para baixo, para esquerda, para a direita, em círculos, devagar ou rapidamente. Adorava voar sobre os carros, árvores e telhados das casas.

voar

            Nem precisava falar; apenas pensar e ela prontamente obedecia-me! Se pensasse: “Quero ir ao hospital.” Pronto! Bastava sentar na cadeira e ela ia levantando do chão até se situar acima das casas. Então me segurava no assento que era o único lugar que havia, já que ela não tinha o apoio para os braços. Apertava bem as mãos nele, com mais força quando fazíamos uma curva para um lado ou para o outro. Dava uma vontade enorme de ir gritando de alegria, sentindo o vento lamber meu rosto e sacudir meus cabelos.

voar 1

            Mas ela tinha um segredo: somente funcionava se eu tivesse o pensamento voltado para Deus ou a uma obra de amor a Ele relacionada.

Deus

            Num dia qualquer, estava sentada em minha cadeira mágica, curtindo a sombra de uma árvore, próximo à esquina. Dobrando a esquina apareceram vários rapazes que vinham caminhando e gritando pelo meio da rua. Eram dez menores desordeiros que queriam bagunçar a tranquilidade do bairro.

moleques

            Aí começou o meu show: dei um voo rasante sobre suas cabeças, depois fiz um círculo ao redor dos dez, subi e desci. Ficaram boquiabertos e queriam saber onde estava o motor da cadeira voadora, onde estava o segredo ou se era alguma mágica.

            – Esta cadeira não tem motor. Funciona apenas com a força do pensamento positivo. – respondi.

            Fiz então uma proposta:

            – Aposto como um de vocês consegue dar ordens para essa cadeira subir, baixar, ir para a esquerda e ir para a direita, mas para isso acontecer tem que ter o pensamento voltado para Deus.

            – Ih! Sai fora, dona! Chô! Não vem falar em Deus prá gente! – respondeu um deles.

            – Então tá. Tchau. – falei, sentei na cadeira e saí voando dando novamente um voo rasante e fazendo um grande círculo ao redor deles.

voar

            – Ei! Pare aí, dona! Eu topo! – respondeu um menino magrinho. – Mas como faço isso?

            – Você está vendo aquela senhora bem velhinha que está parada na esquina tentando atravessar a rua já faz um tempão? Então vá lá e ajude aquela senhora. Mas não deve ir por obrigação ou apenas por causa da cadeira mágica. Deve ir com amor no coração e com o pensamento voltado para Deus. – expliquei.

vovô

            Então lá foi ele. Ajudou a senhora a atravessar a rua, retornou com um grande sorriso no rosto e com os olhos marejados de lágrimas.

choro

            – Pode dar ordens à cadeira. – falei.

            E ele começou:

            – Para cima… para esquerda… para a direita… agora para baixo.

            E a cadeira fazia tudo, mas é claro que estava apenas obedecendo aos meus pensamentos. Porém era isso mesmo que eu queria quando havia visto o grupo se aproximar. Eu havia pensado: “Se eu conseguir que pelo menos um desses garotos faça algo de bom, já ficarei feliz.” E consegui!

mulher feliz

            Saí de lá com minha cadeira e deixei-os rindo no meio da rua e dando cascudos, de brincadeira, na cabeça do garoto magrinho.

            Fui voando por cima dos carros, virei à esquerda, entrando num pátio de uma casa super-arborizada. Como estava voando baixo, enganchei meus cabelos nos galhos de uma árvore. Dei uma forçadinha e consegui desvencilhar-me. Nos fundos do pátio havia uma casa pequena e simples. Do lado da porta havia uma senhora, sentada numa cadeira de roda, olhando-me. Certamente não estava acreditando no que estava vendo! Em seguida apareceu, saindo de dentro da casa, uma moça gorda, com cabelos curtos e loiros, com cerca de 30 anos de idade. Era a filha da senhora da cadeira de rodas.

cadeirante

            A moça gorda é professora primária, mas não pode sair para lecionar porque tem que cuidar da mãe. Então ela dá aulas particulares em casa, o dia inteiro, para sustentá-las.

professora

            Pedi desculpas pelo transtorno de ter invadido o pátio da casa dela e expliquei que estava com pressa porque iria visitar a ala infantil do hospital de câncer e já estava quase no horário específico para as visitas.

hospital

            Ela estava curiosa para saber como eu fazia para movimentar a cadeira. Então expliquei que bastava ter o pensamento voltado para Deus.

            Ela gostou, ficou toda animada, mas logo em seguida “murchou”.

            – Até tento fazer boas ações, mas não tenho tempo. Tenho que ficar o dia inteiro dentro de casa, trabalhando, dando aulas, cuidando da casa e de minha mãe que está inválida.

mulher chorando

            – Não faz mal. – respondi. – Se você tem o pensamento voltado para Deus, é isso que importa. Levante seu braço bem esticado para cima.

            Voei com a cadeira até o alto de sua cabeça, estiquei minha mão para baixo e segurei sua mão. Subimos um pouco… giramos… giramos em cima do pátio da casa… sobre as árvores… e ela ria muito! Toda feliz! Depois pousamos suavemente e despedi-me, deixando ambas sorridentes em frente a casa.

mulher feliz

            Havia perdido o horário de visitas do hospital, mas não fiquei triste por isso, já que havia feito outras pessoas felizes e havia dado o meu recado.

            O sol estava forte e eu estava com sede. Pousei minha cadeira na porta de uma lanchonete. Na frente do estabelecimento havia uma frondosa árvore sob cuja sombra foi colocada uma mesinha redonda com quatro cadeiras – e lá estavam quatro rapazes tomando cerveja.

bar 1

            Fui entrando e coloquei minha cadeira perto do balcão enquanto esperava ficar pronto o suco que pedi. Conhecia um dos rapazes que estavam sentados na sombra. Ele veio até o balcão onde eu estava.

            – Moni, qual é o segredo dessa famosa cadeira? Conta aí, vai!

            Enquanto bebia meu suco, contei o simples segredo: fazer o bem sempre tendo o pensamento voltado para Deus.

mulher bebendo suco

            Quando ele foi contar o segredo para os amigos da mesa, peguei minha cadeira mágica e voei!

voar

           

 

Nota da Autora:

116513[1]

– Conto escrito em abril/2010.

– Publicado no romance Mosaico (Editora Gibim, 2011).

capa mosaico

– Publicado no site www.recantodasletras.com.br em novembro/2012.      

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BOA VIAGEM

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Boa Viagem

 viagem

Boa viagem meu amigo

Que Deus lhe abençoe

Proteja seus caminhos

E aos pecados lhe perdoe.

 Deus

Vá com Ele, pois sei

Bem acompanhado estarás

Pede a Ele proteção

E muito então viverás.

eternidade

 

Espero meu bom amigo

De todo meu coração

Que chegues com muita saúde

Já te digo de antemão.

saúde

 

Com tristeza me despeço,

Pois sei que muito longe irás

Fico triste, pois bem sei

Que muito demorarás.

 partida 1

Tudo de bom te desejo

Muita alegria no lar

Família saudosa te espera

Todos querem te abraçar.

 família 1

Ao lar estás retornando

Deixas aqui muito amigos

A qual amizade cativastes

Por seres tu muito querido.

amigo

Nota da Autora:

116513[1]

– Poesia escrita em 26 de julho de 1979, aos 17 anos de idade.

– Publicada no suplemento O Peixeiro, do Jornal Agora de Rio Grande-RS, em fevereiro/1981 e abril/2013.

– Publicada no site www.recantodasletras.com.br em novembro/2012.

PRAIA

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Férias 2013-2014 004

O mar

Férias 2013-2014 006

O ar

céu azul

O sol

sol e mar

O céu

céu

O vento

vento

O calor

calor

O sossego

sossego

O bar

bar praia

O camarão

camarão

O peixe

Férias 2013-2014 083

O siri

siri

O chope

chope

Os amigos

amigos bar

A onda

onda

A maré

maré

A brisa

brisa

A areia

areia

A duna

duna

A orla

orla

A ostra

ostras

A lagosta

lagosta

A lula

lula

A paz

Férias 2013-2014 055

A alegria

alegria1

Isso é praia e basta!

Férias 2013-2014 019

Nota da Autora:

116513[1]

– Texto escrito em dezembro/2013 tendo como inspiração as delícias, a beleza e a tranquilidade da Barra de Ibiraquera-SC.

AO QUERIDO VELHINHO

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        vovô 1   

            Seus olhos tristes e cansados

            Enrugados, entreabertos, caídos,

            Denotam muitos anos passados,

            De muitos rancores sofridos.   

velho enrugado

                      Seus ouvidos não são como antes,

                      Sua voz treme ao falar;

                      Suas mãos: ásperas e arrogantes,

                     Nas costas, uma curva a se formar.

vovô

            Suas pernas tremem ao andar,

            Seus cabelos são brancos e ralos;

            Anda triste em sua vida a vagar,

            Ensaia um sorriso, que lhe é raro.     

vovô 2

Sua esposa no desamparo o deixou,

Pois morreu e ele ficou a lhe amar;

Antes tivesse ido, mas ficou,

E não ficasse a saudade chorar.

velho chorando

            Não quer ajuda de ninguém,

            Pois prefere sozinho morar;

            Trabalha pouco, recebe seu vintém,

            Resolvo então, vou ajudar.  

homem trabalhando

              Tenta mostrar-se alegre

              Para todos não preocupar;

              Faz-me rir embora não se entregue,

              Quer ser amado e só quer amar.

vovô e neta

            Quero proteger-lhe com carinho,

            Pois é isso que ele mais precisa;

            No resto da vida abrir caminho,

            Ao meu caro avô, antes de sua ida!

mão velha e nova

Nota da Autora:

116513[1]

– Texto escrito nos meus 18 aninhos de vida, em homenagem a meu avô Manoel Antunes da Conceição.

– Publicado no jornal O Peixeiro em maio/1982

– Publicado no jornal O Peixeiro em setembro/2012

– Publicado no site: www.recantodasletras.com.br em 2012

ANIVERSÁRIO DO GE

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Feliz Aniversário

Meu marido não quer que eu lembre a data de seu aniversário para ninguém (nem familiares, nem amigos). Ninguém!

Não

Já faz mais de um ano que me fez esse pedido, desde seu último “niver”. No ano passado atendi sua exigência não falando para ninguém e mesmo assim, compareceram a nossa casa, à tardinha, seu filho e sua nora. Ainda bem que me preveni comprando torta,

bolo

salgadinhos

salgadinhos

e refrigerantes,

refri

pois já previa que certamente eles viriam cumprimentá-lo.

Mas este ano… não sei. Não estou a fim de atendê-lo… Porém fico em dúvida:

mulher em dúvida

se eu telefonar para seus amigos mais chegados e familiares chamando-os para vir comer um bolo e ele ficar aborrecido comigo?

homem zangado

Comentei que, se eu não telefonar para as pessoas informando seu aniversário, ninguém vai dar o retorno ou comparecer para cumprimentá-lo! Ninguém irá adivinhar ou lembrar a data correta! Já tivemos várias conversas sobre esse assunto

homem e mulher discutindo

e ele sempre acaba convencendo-me a não chamar ninguém.

– Então tá! Você ganhou! Não ligarei para ninguém!

Reservo para mim o direito de encomendar uma torta deliciosa de chocolate meio amargo com coco ralado,

torta de coco

que sei que ele adora! Mesmo que ninguém se lembre de seu “niver”, pelo menos seu filho deverá vir dar-lhe um abraço (apesar de ele já ter dado o abraço hoje pela manhã, bem cedinho).

Foi o que fiz: encomendei e pedi para entregar a torta por volta das 16 horas do dia 16/06 para fazer surpresa já que eu sabia que ele estaria em casa assistindo ao jogo de futebol da Copa do Mundo pela televisão.

homem futebol televisão

Quando recebeu a torta, telefonou-me para agradecer.

homem mulher  telefonando

Cheguei em casa depois das 18 horas e o encontrei muito empolgado… Feliz…

homem feliz

Parecia uma criança:

– Nega! Adivinha quem me ligou? – perguntou com os olhos brilhantes.

– Não sei, meu bem. Quem ligou? Conta aí. – falei curiosa.

– Barak Obama! – respondeu rindo.

– Ah amor, fala a verdade!

– Então tá: minha filha de São Paulo e meu filho! – disse eufórico.

– Nossa! Que legal! Que bom, amor!

– Sabe quem mais ligou? Seu pai!Fiquei muito feliz; achei muito legal ele ter se lembrado! Foi você quem o avisou?

– Amor, vou te explicar: quando estava chegando em casa, tocou meu celular e era meu pai perguntando se era hoje o seu aniversário. Confirmei e dei o novo número do seu telefone porque ele queria falar com você.

– Ah tá! Então vou te contar mais: recebi também um telefonema da Jany!

– A Jany? A cantora? Que mora em Portugal? – indaguei incrédula.

– Exatamente! Telefonou de Portugal para me cumprimentar. Quando ouvi sua voz sabia que a conhecia, mas não lembrava o nome; deixei-a falar mais um pouco e, então, consegui reconhecer e lembrar o nome dela! E tem mais! Ligaram também: meu pai, minha mãe, meu irmão Ângelo e minha cunhada Regina, lá do Rio Grande do Sul. E pela Internet recebi os cumprimentos do seu sobrinho Douglas e da nossa amiga Rosana!

homem feliz

– Puxa amor! Quanta gente! Isso tudo aconteceu sem eu ter avisado ou lembrado alguém! Imagina se eu aviso! Hehehe!

mulher gargalhando

 

Depois de toda essa euforia e felicidade fui para a cozinha verificar a torta e ele foi atrás de mim.

– E tem mais: seu irmão, sua cunhada e o Douglas estão vindo para cá. Já comprei salgadinhos, cerveja e refrigerante! – falou com empolgação.

– Que ótimo! Sugiro abrir um champanhe

champagne

para comemorarmos. O que acha?

– É prá já, meu amor. – respondeu alegremente.

Ficamos tomando champanhe até o pessoal chegar.

champagne taças

Foi uma reunião agradável… Alegre… E mais alegre estava o Ge! Transbordava felicidade e alegria pela boca…

boca homem sorrindo

Fluía pelos olhos…

olho

Transpirava pelos poros…

homem transpirando

Irradiava pelo corpo…

homem feliz 2

Todo ele era satisfação!

Aí percebi como é fácil fazê-lo feliz! Bastou uma lembrança! Não precisa de presentes,

presente

flores,

flores

festa…

festa

Basta a lembrança!

Fui muito piegas na minha declaração? Pode até ser, mas prefiro dizer que foi uma declaração de uma esposa apaixonada.

mulher apaixonada

Aqui fica meu agradecimento aos que lembraram… Aos que telefonaram… Aos que compareceram!

mulher agradecendo

E fica também o lembrete

lembrete

de que outros 16/06 virão por aí. Nessa data poderá não acontecer uma grande festa, mas certamente haverá união,  

       união 

amor,

amor

alegria

alegria

e felicidade

felicidade

(tudo isso acompanhado de uns comes-e-bebes porque ninguém é de ferro. Hehehe).

 

Nota da Autora:

116513[1]– Conto escrito em 17/06/2010.

– Publicado no livro MOSAICO, Editora Gibim, 2012.

– Publicado no site Recanto das Letras.

 

ACRÓSTICO: FELIZ ANO NOVO SEMPRE

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 Feliz Ano Novo 1

 

 

F elicidade sempre

E sperança sempre

L iberdade sempre

I gualdade sempre

Z elo sempre

 

A mor sempre

N atureza sempre

O portunidade sempre

 

N aturalidade sempre

O usadia sempre

V erdade sempre

O blação sempre

 

S implicidade sempre

E mpatia sempre

M aravilhar-se sempre

P razer sempre

R esponsabilidade sempre

E logiar sempre

feliz ano novo 2

Nota da Autora:

116513[1]

Texto escrito no dia 1º de janeiro de 2014, inspiração vinda com o auxílio das belezas da Barra de Ibiraquera-SC.

Lagoa de Ibiraquera

 

É PRAIA E BASTA!

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Praia

Simone Possas Fontana

membro correspondente da Academia Riograndina de Letras

Férias 2013-2014 028

(Barra de Ibiraquera-SC)

O mar 

O ar    

O sol  

O céu 

O vento

O calor

O sossego

O bar  

O camarão

O peixe

O siri

O chope

Os amigos

A onda

A maré

A brisa

A areia

A duna

A orla

A ostra

A lagosta

A lula

A paz

A alegria

Isso é praia e basta!

Férias 2013-2014 070

 (Praia da Ribanceira-SC)

Nota da Autora:

116513[1]

Agora estou alterada de vez! Fui pro lado da poesia. Virgem nossa! Inspiração vinda por causa da praia. Surgiu a poesia: É PRAIA E BASTA! Prá quê mais do isso? Leiam, comentem, etc.