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ACRÓSTICO: FELIZ ANO NOVO SEMPRE

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 Feliz Ano Novo 1

 

 

F elicidade sempre

E sperança sempre

L iberdade sempre

I gualdade sempre

Z elo sempre

 

A mor sempre

N atureza sempre

O portunidade sempre

 

N aturalidade sempre

O usadia sempre

V erdade sempre

O blação sempre

 

S implicidade sempre

E mpatia sempre

M aravilhar-se sempre

P razer sempre

R esponsabilidade sempre

E logiar sempre

feliz ano novo 2

Nota da Autora:

116513[1]

Texto escrito no dia 1º de janeiro de 2014, inspiração vinda com o auxílio das belezas da Barra de Ibiraquera-SC.

Lagoa de Ibiraquera

 

É PRAIA E BASTA!

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Praia

Simone Possas Fontana

membro correspondente da Academia Riograndina de Letras

Férias 2013-2014 028

(Barra de Ibiraquera-SC)

O mar 

O ar    

O sol  

O céu 

O vento

O calor

O sossego

O bar  

O camarão

O peixe

O siri

O chope

Os amigos

A onda

A maré

A brisa

A areia

A duna

A orla

A ostra

A lagosta

A lula

A paz

A alegria

Isso é praia e basta!

Férias 2013-2014 070

 (Praia da Ribanceira-SC)

Nota da Autora:

116513[1]

Agora estou alterada de vez! Fui pro lado da poesia. Virgem nossa! Inspiração vinda por causa da praia. Surgiu a poesia: É PRAIA E BASTA! Prá quê mais do isso? Leiam, comentem, etc.

AMIGO

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Amigo

 amigo

 Amigo é aquele companheiro

Que vê na alegria muita dor

Vê rosas no espinheiro

Vê perfume em cada flor.

 

Não dá importância para cor

Não dá importância para dinheiro

Age com todo o seu vigor

É o amigo verdadeiro.

 

Darei a você meu amigo

Tudo de bom que há na vida:

Desde o mais simples pedido

Até a mais pura alegria.

amigos

Nota da Autora:

Poesia escrita em 11 de julho de 1979, aos 17 anos de idade. Publicada no suplemento O Peixeiro, do Jornal Agora, de Rio Grande-RS, em janeiro/1981 e setembro/2012. Publicada no site www.recantodasletras.com.br em novembro/2012.

A NOTÍCIA

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A Notícia

notícia

O telefone tocou.

telefone

Atendi. Era o Sr. Lotário.

– Simone? – perguntou a voz masculina.

– Sim. Pois não. – respondi automaticamente.

mulher telefonando

– Bom dia, Simone!

– Oh! Bom dia, Sr. Lotário! – retruquei alegre, pois há quase dez anos atrás trabalhei numa empresa, na qual o Sr. Lotário era diretor e meu chefe. Tempos bons aqueles.

– Puxa! Reconheceu minha voz depois de tanto tempo? – disse-me ele entre incrédulo e feliz.

– Bom, não tenho uma notícia boa para te dar. – continuou ele, agora com outro tom de voz.

homem triste

– É. Imaginei isso, Sr. Lotário. Já faz tanto tempo que não nos vemos e não conversamos. Para o senhor ligar aqui em casa, deve ser uma notícia muito importante. – respondi seriamente, procurando uma cadeira para sentar, já prevendo que não seria uma boa notícia.

cadeira

– Então… hã… bem… – titubeou. Não sabia como entrar diretamente no assunto sem me assustar ou magoar.

Já estava assustada,

mulher falando

com os olhos arregalados, coração acelerado, suor nas palmas das mãos. Criei coragem:

– Pode falar, Sr. Lotário.

– Tá. Aconteceu um assalto no Cartório do 7º Ofício e o Sadi estava lá. Pronto! Falei! – despejou ele ao telefone.

homem triste telefonando

– E daí? Ele foi assaltado também? Houve tiros? Alguém se machucou? – perguntei aflita.

mulher louca 3

Silêncio do outro lado da linha.

– Sr. Lotário, o Sadi foi ferido? Está machucado?

O silêncio continuou.

silêncio

Meu amigo Sadi. Sadi era meu companheirão: colega na empresa e amigo fora dela. Lembrando-me dele, recordo das viagens, passeio de trem,

trem

banho de cachoeira,

cachoeira

acampamentos,

acampamento

bares, cervejinha.

bar

Para mim, ele continua sendo meu amigo do peito. Penso sempre no Sadi com carinho e recordo-me com saudade daqueles bons momentos. Em poucos segundos revi toda nossa amizade, que continua até hoje, mesmo que a falta de tempo e oportunidade não nos tem deixado tão próximos como gostaria.

amigos

– O que aconteceu com o Sadi? Alô! Sr. Lotário! O Sr. Continua na linha? – nesse momento já estava quase gritando e andando de um lado para o outro da sala.

mulher louca 1

Aquele silêncio me enervava, afligia, queria uma resposta!

mulher aflita

– Sim. – respondeu com um “sim” fraco, sem vida, sem vontade de falar, parecia que estava arrependido de ter me telefonado, mas não podia deixá-lo desligar. Ele tinha que me contar o que acontecera.

– O Sadi está ferido? Machucado? Ele morreu?? – nesse momento eu já estava chorando.

mulher chorando

– Sim. – respondeu-me tristemente.

Fiquei sem fala, sem resposta e desliguei chorando, não acreditando no que eu acabara de saber.

choro

Acordei com o rosto banhado de lágrimas.

mulher acordando chorando

Suspirei aliviada. Fora apenas um pesadelo.

mulher aliviada

Mesmo assim fui correndo telefonar para o Sadi para saber se estava tudo bem com ele.

(AFE! Que susto!)

susto

 

 

 

 

 

Nota da Autora:

Conto escrito em agosto/2010. Publicado no romance Mosaico (Editora Gibim, 2011). Publicado no site www.recantodasletras.com.br em novembro/2012.

A Louca

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A LOUCA

Simone Possas Fontana

Membro Correspondente da Academia Riograndina de Letras

mulher louca

            Ao descer do ônibus já deveriam ser quase oito horas da noite. Estava escuro. O coletivo seguiu para o seu destino pelo asfalto e eu ainda tinha que caminhar cerca de 2 km na estrada de chão até chegar à chácara de meu irmão Gabriel, sua esposa e filhos. Ainda bem que havia uma pequena lua para me ajudar a seguir pela estrada sinuosa.

            Já conhecia bem o caminho. Antes do meu irmão e sua família morarem nessa casa, meus pais já haviam morado com meus dois irmãos menores e solteiros: Tadeu e Tiago. Quando Tadeu e Tiago foram estudar na cidade, meus pais resolveram mudar-se também e ofereceram a chácara para o Gabriel. Gostou da ideia e mudou-se com a família, pois adorava cuidar das galinhas, patos, horta… Enfim, da vida no campo.

            Encaixei bem a alça da mochila no ombro, ergui a gola da jaqueta jeans por causa do ar frio, meti as mãos nos bolsos e comecei a andar. De repente vi um vulto bem do meu lado. Como não havia visto aquele rapaz? Ao perceber, ele já estava ao meu lado ameaçando-me com uma faca.

assaltante com faca

            – Aí dona! Passa a carteira! – disse-me ele.

            Virei meu rosto rapidamente para ele, escancarei minha boca mostrando bem todos os dentes, soltando uma sonora e estridente gargalhada, enquanto apontava o dedo indicador para sua cara.

            O rapaz ficou me olhando meio desconfiado.

            Esbugalhei mais os olhos, mostrei mais meus dentes, aumentei a gargalhada e me babei de tanto rir.

            Junto a essa performance, eu falava ao rapaz, mas ele nada entendia porque eu gargalhava junto com a fala:   

           – Olha sua cara, moço! O que aconteceu? Credo! Você não tem vergonha de sair para a rua com essa cara toda pintada? É branco? Vermelho? Verde? Branco, vermelho e verde? Tudo misturado? Não estou conseguindo entender! Pode me explicar?

mulher louca 1

            Rapidamente emendei a fala com um tom bem alto, não lhe dando chance de responder:

           – Não estou acreditando no que estou vendo! E ainda tem a cara de pau de vir conversar comigo com essa cara toda manchada ou pintada? Você não viu que estava assim? Ninguém avisou? Escuta aqui, cara, você não tem amigos, não?

            Nessa altura já não estava mais gargalhando, mas meus olhos continuavam esbugalhados e com meus dentes à mostra:

mulher louca 3

           – Infelizmente não tenho espelho aqui. Vem comigo! Segue-me! Vou conseguir emprestado um espelho e você mesmo poderá ver que não estou exagerando!

            Fui caminhando e levando o rapaz comigo, mas sempre sem parar de falar:

           – Ah, todos falam que sou louca, mas não é loucura! Não estou inventando isso! Você mesmo verá com o espelho. Dizem que não estou louca, que já estou curada, mas como posso estar curada, se nunca fui louca? Curada do quê? Quando estou muito alterada como agora, eles vêm com aquelas agulhas enormes e picam maus braços. Olha só meus braços como estão cheios de picadas.

            Nesse momento tentei puxar a manga da jaqueta jeans para cima, mas não consegui. A performance continuou  e a caminhada pela estradinha de chão também. Já havíamos percorrido quase a metade do caminho:

jaqueta

            – Até que você não é de se jogar fora. Está meio “passado”, desarrumado, desajeitado, mas acho que, para começar, um banho resolve em parte. E esse cabelo? Quanto tempo faz que não passa por um corte e uma lavada? Não! Não vem me dizer que não tem dinheiro! Existem muitos salões de beleza que dão cursos e precisam de modelos para ensinar aos alunos e nada cobram! E esses dentes? Deixa-me ver esses dentes! Abre a boca! MAIS! ARREGANHA ESSA BOCA! NOSSA! CRUZES! Já passou da hora de visitar um dentista, não acha? Não precisa responder. Já sei o que vai dizer: “Não tenho dinheiro, dona”. Pois eu digo a você: vá a um posto de saúde. É isso aí: banho, cabelo e dentes! Do contrário, você não arruma namorada! Quem vai querer você assim? Por falar nisso, tem namorada? Claro que não! Quem vai chegar perto de você? E não se esqueça de tirar essa tinta horrorosa de sua cara!

mulher falando

            Tudo isso falei numa velocidade impressionante, num tom de voz muito alto e sempre com os olhos bem esbugalhados. As ideias iam surgindo e eu ia esparramando palavras em cima do rapaz. Não dei qualquer chance de diálogo ou de resposta. Foi tudo muito rápido!

            Nesse ponto, já estávamos em frente da porteira que dá entrada para a casa do sogro do meu irmão, que fica no lado esquerdo da estradinha de chão. A casa do Gabriel fica cerca de 500 metros dali, no lado direito da estradinha.

            Paramos em frente, fui abrindo a porteira e falando:

           – Espera aqui. Vou correndo lá na casa buscar o espelho para você ver essa máscara horrível que você está! Cá, cá, cá, cá! Não saia daí! Vou super-rápido! Apenas um minuto!

mulher correndo

            Entrei na chácara, fechei a porteira e fui caminhando rapidamente em direção à casa dos sogros do meu irmão. Bati palmas e Dona Beatriz apareceu à porta.

            – Boa noite, Dona Beatriz! Tudo bem? Desculpa chegar a essa hora na sua casa, mas estou indo à casa do Gabriel, porém antes preciso de um espelho emprestado. A senhora pode me emprestar?

            Olhando-me assustada, Dona Beatriz achou meio estranho o fato de eu pedir um espelho àquela hora da noite, mas emprestou-me e eu fui correndo em direção à porteira, no entanto o rapaz não estava mais lá. Retornei então à casa da Dona Beatriz e contei o que havia ocorrido. Disse-me que eu deveria me acalmar, pois poderia ter sido minha imaginação ao caminhar pela estradinha de chão, numa noite enluarada. Então telefonou para o Gabriel para que ele viesse buscar-me. Escutei quando ela informou ao meu irmão que eu estava muito agitada.

mulher telefonando

            Logo que o Gabriel chegou, contei tudo a ele novamente, da mesma maneira como havia narrado para Dona Beatriz. Percebi que trocaram um olhar. Ambos falaram que eu deveria me acalmar, que eu estava muito agitada, que deveria ser fruto da minha imaginação por causa da noite enluarada, etc., etc., etc.

            Seria imaginação? Estou louca? Já fui louca? Tenho que tomar calmantes? Será que tomei meus remédios hoje? Será que não havia ninguém me acompanhando na estrada? Não havia faca? Nem tentativa de assalto?

            Por via das dúvidas, na saída, na saída, ao passarmos pela porteira da chácara da Dona Beatriz, sem que meu irmão percebesse, larguei o espelho em cima do tronco de madeira. Quem sabe apareceria alguém com a cara pintada precisando de um espelho?

espelho

            Continuamos nossa caminhada pela estrada de chão em direção à casa do Gabriel quando ele me olhou, olhei para ele e sorrimos um para o outro em cumplicidade:

           – Puxa mana, você está se tornando uma excelente atriz! Conseguiu enganar até minha sogra! – disse-me dando risada.

            Essa estória não é baseada em fatos reais. Qualquer semelhança com a realidade trata-se de mera coincidência. Ela e seus personagens foram por mim inventados; são frutos da minha imaginação (ou será que não?).

porteira

Notas da Autora:

– Conto escrito em agosto/2010.

-Publicado no romance Mosaico (Editora Gibim, 2011).

– Publicado no site www.recantodasletras.com.br em novembro/2012.

 

Adeus Querida

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Adeus Querida!

Adeus Querida

       Dois colegas se encontram na sombra de um ipê na Avenida Afonso Pena, em frente ao prédio da prefeitura:

       – Bom dia, companheiro! Tudo bem? Parece que está um tanto vexado!

       – Bom dia, cara! Vexado?!?!? Estou apavorado!

       – Por quê? O que aconteceu? Fala logo! Desembucha!

       – Calma! Vou te contar: ela vai embora amanhã.

       – Jura? Puxa vida! Depois de tanto tempo juntos.

       – É verdade… Ela está comigo a mais de 50 anos!

       – Credo! Tudo isso? É uma vida.

       – Sim. É uma vida… É tanto tempo de convivência… Ela me conhece por dentro… – concorda cabisbaixo.

homem cabisbaixo

       – Entendo porque você está triste, afinal foram 50 anos cuidando de sua alimentação, cara!

       – Bem… Não é bem assim, porque nos últimos 10 anos ela já estava negligente, tratando de minha alimentação de uma maneira bastante preguiçosa e lenta!

       – Não fale assim… Não seja ingrato.

       – Reconheço a importância dela em minha vida, mas agora vou dar um basta. Chega! Cansei de sofrer.

       – Sofrer? Nunca vi você reclamar de nada! – diz o amigo incrédulo.

       – É, meu amigo. Os últimos 10 anos não foram nada agradáveis. Foram muitos sofrimentos. Quero mudar de vida!

homem triste

       – Está certo. Concordo com você! Tem que extirpar o mal pela raiz. É isso aí, companheiro. Se não presta, joga fora! Tenho que ir. Faça o que seu coração mandar e depois me liga para contar. Se precisar de algo, basta me telefonar. Ok?

       – Ok, amigão. Obrigada por me escutar. Nessas horas de angústia e carência é muito importante ter a opinião dos amigos próximos. Até mais! Daqui uma semana, quando a poeira baixar, eu te ligo para contar como foi todo o babado.

       Depois de despedirem-se, os amigos vão um para cada lado.

       O amigo cabisbaixo vai caminhando e meditando:

       – Já pensei em tudo. Vou fazer assim: hoje à noite vou deitar-me na cama e vamos conversar.

homem na cama

     O homem cabisbaixo chega em casa, toma banho, janta e vai para o quarto. Deita-se e a acaricia. Passa a mão levemente sobre ela e lhe fala de maneira mansa:

       – Querida, amanhã você vai embora… Não nos veremos nunca mais, mas foi bom enquanto durou. Já está tudo combinado e resolvido.

       – Não! Por favor! Não faça isso comigo! Prometo que vou trabalhar direitinho. Não vou mais fazer você sofrer! – parece ter escutado uma voz feminina como resposta, mas continua na sua divagação:

       – Por favor, digo eu! Não insista! Adeus, querida! Não tem mais volta, mas não se preocupe, pois será rápido e você nada vai sentir. Amanhã às 13 horas, você vai para o lixo, com um golpe rápido e certeiro, após uma incisão perfeita do bisturi, SUA VAGAL… SUA…

homem xingando

 

…VESÍCULA PREGUIÇOSA E CHEIA DE PEDRAS!!!!!!

 risada

(Não vá me dizer que você pensou que era uma briga de marido e mulher??? Desculpa aí, tá? Foi só uma brincadeirinha. De vez em quando gosto de fazer uns contos irônicos outros cômicos, leves… Até mais!)

Simone Possas Fontana

Membro Correspondente da Academia Riograndina de Letras

ESPÍRITO NATALINO

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Espírito Natalino

 (Nota: Crônica escrita nos meus dezoito aninhos de vida!)

 Avenida Mato Grosso

      Avenida Mato Grosso. Campo Grande-MS. 24 de dezembro de 1984. Tinha dezoito anos e sai de casa cedinho para ir trabalhar. Atravessei o pátio com três ou quatro passadas, chegando ao muro alto e abri o portão. Do lado de fora, deparei-me com duas crianças sentadas no chão e encostadas no muro de minha casa. Tinham cerca de sete ou oito anos cada uma. Estavam sujas, maltrapilhas, magras e com fome.

      Naquele instante meu primeiro pensamento foi: “- Se eu parar para ajudar essas crianças, perderei minha carona e chegarei atrasada ao serviço.” Assim que saí e fechei o portão da rua, falaram-me:

      – Tia, estamos com fome! Tem um dinheirinho aí?

      Olhei para aquelas carinhas tristes e respondi penosamente:

      – Oi. Não tenho dinheiro para ajudar vocês. Sinto muito. Terá que ficar para outro dia.

      Virei às costas e saí andando pela calçada a fim de pegar minha carona. Caminhei até a esquina com uma angústia que apertava meu coração. Não aguentei. Retornei.

      – Crianças! Vou abrir o portão. Podem entrar aqui no pátio. Vou preparar um lanche gostoso para vocês.

      Enquanto esperavam no pátio, corri até a cozinha e fiz dois sanduíches apetitosos, como se estivesse preparando para mim mesma: abri o pão novinho e crocante que meu pai tinha acabado de comprar na padaria do bairro, coloquei bastante margarina, presunto e queijo prato.

Estava radiante. Meus olhos brilhavam de alegria por poder ajudar alguém!

      Entreguei os lanches e se dirigiram comigo até o lado de fora do portão. Fui trabalhar muito feliz por ter feito uma boa ação. Fiquei no serviço apenas até às onze horas porque meu chefe dispensou todos para o Natal. Corri para casa a fim de contar ao meu pai o que havia acontecido cedinho.

      Quando cheguei em casa, na calçada em frente ao portão, encontrei os pães jogados no chão! Fiquei muito decepcionada! Choro de raiva ou de tristeza?

      – Puxa vida! Fiz os lanches com todo carinho e elas fizeram isso comigo! Comeram apenas o presunto e o queijo! – esbravejei.

      Meu pai percebendo minha indignação veio conversar:

      – Mone, entendo que esteja chateada, mas pensa um pouquinho: você queria fazer uma boa ação? Dar um lanche às crianças? Fazê-las felizes nem que fosse por alguns instantes? Você conseguiu! Então, minha filha, não se aborreça se elas não deram valor a sua boa ação!

      – Tudo bem, pai. Entendo e fico mais tranquila. – respondi levantando a cabeça depois de pensar um pouco.

      – E tem mais: sugiro que as boas ações não fiquem restritas apenas ao período próximo ao Natal, mas que elas se prolonguem por todos os dias do ano! Que tal? Gostou dessa proposta? – indagou.

      Respirei aliviada e sorrindo, pois aprendi que devo doar sem esperar recompensa e agradecimento.

      E você? Já fez sua boa ação de hoje?

 

Simone Possas Fontana

Membro correspondente da

Academia Riograndina de Letras