FESTA DA É.

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Festa da É.

 Feliz Aniversário

            A festa estava muito boa. Muita gente conhecida, pessoas da família, alegres e bonitas. Era o aniversário da É., amiga de trabalho de minha mãe. É. fez essa festa numa espécie de mini-shopping. Cada proprietário das lojinhas coloca para alugar o pátio central para fazer a festa, nos sábados à tarde, quando as lojas estão fechadas. Esse mini-shopping tem um formato de “L”. Há uma entrada na parte menor do “L” e a outra entrada (ou saída) fica na parte maior, que dá para outra rua, pois esse “L” atravessa o quarteirão. A festa da É. estava sendo realizada na parte menor do “L”. Ao entrar no mini-shopping se via do lado esquerdo e direito várias lojas enquanto no centro estava sendo realizada a festa.

            Quando já estava na hora de ir embora, procurei minhas irmãs para despedir-me e encontrei a B. no fraldário, trocando as roupas da pequena F. (colocou uma linda roupa jeans com apliques de tecido colorido) e a N. trocando as fraldas do bebê G.A.

            Após as despedidas, continuei caminhando até a quina do “L” e já estava virando para a direita quando a jornalista I., minha amiga desde a infância chamou-me dizendo que iria me acompanhar até a saída. Fomos caminhando, conversando e logo chegamos onde estava localizada a saída, a qual estava bloqueada por uma moto, um jet-ski e um pequeno trator, que estavam em exposição para venda.

            – Puxa vida! E agora? Temos que voltar todo o percurso? – reclamei.

mulher dor

            Aí a amiga I. segurou na traseira da moto, arrastando-a para um canto, dando espaço para uma pequena abertura na porta – e por ali eu saí.

            Saí para a rua e já estava escuro.

            – E agora? Qual rumo tomar? Lado esquerdo ou direito? – pensei.

            Era a primeira vez que saía por aquele lado do “L” e desconhecia aquela rua.        Resolvi sair para a direita. Andei uns quatro quarteirões pelo meio da rua porque a calçada era muito esburacada e estava bastante escuro. Senti que vinha uma pessoa caminhando atrás de mim e vi um vulto. Fiquei com medo. Acabou a rua; não dava mais para ir em frente porque havia algumas casas; só poderia ir para a esquerda ou direita. Acabou o asfalto esburacado, a rua agora era de terra. O vulto virou para a direita e eu optei então em virar à esquerda.

            Agora não havia mais calçada e fui andando pela rua de terra batida, de salto alto, amassando o barro e pulando as várias poças de água que conseguia enxergar e pisando naquelas que não via. As lâmpadas dos postes de luz estavam queimadas. Escutei vozes atrás de mim. Era um bando de garotos, uns a pé e outros de bicicleta. Fiquei com medo novamente. Passaram por mim correndo, brincando, gritando e rindo. Alarme falso.

mulher aliviada

            Estava apavorada porque estava perdida, cansada de caminhar, desconhecia aquele lugar e não sabia como chegar à rodoviária. Após andar uns três quilômetros nessa escuridão e lama cheguei à esquina de uma rua bastante iluminada e movimentada por veículos. Parei um táxi e suspirei aliviada.

            – Amanhã vou telefonar para a É. e tranquilizá-la informando que cheguei bem, apesar desse bobo susto. – pensei.

 beijo

Simone Possas Fontana

(escritora gaúcha de Rio Grande-RS, membro correspondente da

Academia Riograndina de Letras, autora dos romances

MOSAICO e A MULHER QUE RI)

 

Nota da Autora:

Simone

– Conto escrito em janeiro/2010

– Publicado no livro MOSAICO (Editora Gibim, 2011)

– Publicado no site: http://www.recantodasletras.com.br

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